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Sobre Criança

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Como preparar a criança para o início na vida escolar?

2 de agosto de 2016

Sem dúvida, é uma fase nova e desafiadora para ambos, os pais e criança.

Não existe uma regra de qual idade  a criança deve ingressar na escola, isso varia muito de acordo com as necessidades e escolhas de cada família. No entanto, em algum momento chega a hora de dar inicio à vida escolar. E, geralmente, é a primeira vez que a criança se socializa, sem a presença de um dos seus cuidadores. E isso, pode gerar insegurança tanto na criança quanto nos pais.

O primeiro passo é estar seguro de que escolheu a escola certa para seu filho. Portanto, visite a escola, tire suas dúvidas sobre a forma de ensino e acolhimento que a instituição costuma ter. Outro fator importante é estar certo de que é um bom momento para seu filho iniciar os estudos.

Com os pais se sentindo seguros, eles conseguem passar firmeza e tranquilidade de que isso é o melhor para a criança.

E, quando o primeiro dia de aula se torna realidade, é fundamental conversar com os pequenos, explicar que vai ser muito bom para o seu desenvolvimento, que será um espaço para brincar com outras crianças e também para aprender coisas novas. Envolva a criança no processo, e na medida do possível, convide-a para comprar uma mochila nova ou um lápis de cor para poder levar no início das aulas.

Se possível, quando o primeiro dia de aula estiver se aproximando, leve o pequeno para conhecer o espaço. Lembre-se: sempre que conversar com a criança sobre a nova rotina, mostre sempre que está segura, positiva, confiante e feliz por este momento.

O período de adaptação também merece cuidado e atenção. A ideia é que os pais comecem levando seus filhos por pequenos períodos de tempo à escola, para irem se acostumando a ficar longe de casa e da família. Conforme vão se acostumando, esse período vai aumentando gradualmente. Não existe regra: o tempo de adaptação pode variar de criança para criança.

Durante esse período, é muito importante que os pequenos se sintam seguros. O ideal é ficar por perto e, quando a criança solicitar ou perguntar sobre os pais, ela poderá encontrá-los. Se disser que estará lá, esteja. Sair sem se despedir ou mentir pode dificultar bastante as coisas.

Nesses dias, caso a criança se canse e queira ir para a casa isto deve ser respeitado.

Aos poucos eles vão se acostumando com o ambiente escolar, se vinculam com os professores e perguntam cada vez menos sobre os pais.

Durante o processo de adaptação, evite mudar a rotina da criança. Este não é o momento de tentar tirar à chupeta ou a mamadeira. Se a criança tem algum objeto que ela goste muito, você incentive-a a levar, aumentando a tranquilidade e segurança já que é um objeto que veio do ambiente familiar para o novo ambiente da escola.

Lembre-se que chorar é uma reação natural e até esperada neste momento e, portanto, não deve ser proibida. Quando o choro surgir, o melhor é reforçar a importância da escola, que você sabe que ele está com medo, mas que acredita que ele vai conseguir superar e que vai ficar bem. É necessário firmeza, paciência e carinho. Afinal, momentos de separação nunca são fáceis.  Respeite o tempo da criança, e demonstre que esta é a melhor decisão.

Geralmente os pais também precisam do processo de adaptação, pois terão uma fase de integração com os novos pais e professores, além de lidar com a separação do filho e insegurança sobre os cuidados que terão com seu pequeno. Nesta fase, os sentimentos são diversos: há os que se sentem culpados em deixar o filho na escola para trabalhar; os que sentem alívio, os que experimentam um grande vazio e os que choram mais do que criança.

Vale lembrar que assim como cada criança é única, os pais também são. Cada relação também é única e diferente, portanto, cada um lida de modo singular com as mudanças, separações e novidades, de acordo com sua personalidade, maturidade emocional, expectativas e momento de vida. Por isso, não existe uma receita, mas o que é fundamental é estar perto, atento, seguro e confiante. E, lembrar-se, todas as pessoas passam por este momento.

Boas aulas!

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Mordida na Escola

30 de maio de 2016

Com o início das aulas, a mordida entre os pequenos é um assunto que está presente e que desperta nos pais e educadores inúmeros sentimentos. O fato é que, desconfortável ou não, temos que lidar com a realidade de que é comum a mordida na criança entre 1 ano e meio e 3 anos de idade. Faz parte do desenvolvimento normal infantil.

A mordida numa criança na escola desencadeia uma série de sentimentos nos envolvidos. Os pais da criança que morde, ficam constrangidos e até preocupados com a situação, achando que pode ser algo da educação. Já os da que é mordida, demonstram ficar chateados e revoltados por conta do machucado do filho. A escola e os professores muitas vezes sentem-se culpados de não conseguirem evitar a situação, além de ter que mediar os sentimentos dos pais e das crianças envolvidas.

O que acontece é que quando a criança vai para escola, ela é inserida num novo universo, que é coletivo. Os educadores devem cuidar desse novo ambiente, acolher e direcionar na forma de se relacionar e se comunicar com seus colegas.

Um dado importante para refletir é que, a criança tem seu primeiro contato com o mundo através da boca, pelo seio materno, que lhe proporciona o prazer de saciar a fome. Na tentativa de descobrir o mundo e experimentar a mesma sensação de prazer, a criança começa a levar outras coisas à boca, como pés, mãos e objetos que manuseia. E na escola, ela pode fazer isso também. Ao experimentar morder um amigo, descobre novas sensações na reação do outro. A partir disso volta a fazer outras vezes.

As crianças pequenas são muito corporais, e também acreditam que são o centro do mundo, são egocêntricas e, portanto, tudo é para elas, e é extremamente difícil dividir e compartilhar. Deste modo, podem acontecer mordidas, empurrões e tapas na relação entre elas. Geralmente as mordidas acontecem em situações de disputa por brinquedos ou quando se sentem inseguros, frustrados ou com ciúmes. Como não conseguem administrar seus sentimentos, e nem expressar esses sentimentos que incomodam, manifestam de maneira corporal, através da mordida.

Normalmente nesta idade, ainda não conseguem falar com facilidade, demoram um pouco quando querem articular uma frase. A mordida muitas vezes é a forma mais rápida que encontram para conseguirem o que querem, funcionando como o substituto da mensagem que eles não estão conseguindo passar.

Fiquem calmos! Essas manifestações não significam que a criança será um adulto violento, mas mesmo sabendo que é somente uma fase, nós devemos cuidar para que as mordidas não aconteçam. Tudo isso tende a melhorar, com o passar do tempo a criança amadurece e consegue se comunicar melhor. E com a nossa ajuda, aprendem a nomear os sentimentos e começam a administra-los de maneira mais efetiva.

Nosso papel como adultos, pais e educadores é mostrar para a criança que morde, que existem outras maneiras de manifestar seus desejos, e para os que sofrem a mordida, ensinar que eles podem se defender! Mas de maneira alguma, devemos incentivar a revidar, ou se defender de forma agressiva.

Bom, saber que a esse tipo de comportamento agressivo faz parte do desenvolvimento dos pequenos já ajuda bastante os adultos a acolher as crianças envolvidas e agir de maneira adequada. Toda criança tem potencial para amadurecer e se integrar, mas isso vai depender de um ambiente que ajude e que seja permeado por amor. Portanto o papel do cuidador, educador é fundamental.

O adulto deve impedir que a agressividade fuja do controle, mostrando que ela pode ser expressa sim, mas sem causar danos. Podemos aceitar alguns desses comportamentos agressivos dando sentido a eles, quando permitimos algumas brincadeiras em que a agressividade é aceita, como por exemplo derrubar uma pilha de lego, amassar a massinha com força, rasgar papel.

Muito bem, já sabemos sobre a mordida…mas como podemos ser ativo e ajudar as crianças nesse processo?

A criança que recebe a mordida repetidamente, necessita de ajuda para demonstrar que ficou triste, mostrar seus limites e conseguir se defender melhor. Tenho visto muitos pais, que ficam frustrados em ver os filhos mordidos, e ensinam a revidar, essa definitivamente não é uma forma positiva e que vai ajudar o filho a desenvolver seus mecanismos de defesa. Tive um pacientinho no consultório que levou três mordidas do mesmo amigo em três dias consecutivos. Os pais estavam muito bravos com a escola, e até certo ponto, eles tinham razão. Mas o que eu fui mostrando para eles é que o filho deles escolhia sempre o mesmo amigo para brincar, e essa criança de quem estamos falando tinha algumas características muito fortes como não ter medo de nada e não saber seu limite. Era uma criança que se machucava com frequência, pois testava seu próprio limite diversas vezes. Ele era um desbravadorzinho que adorava inventar brincadeiras que tinham algum desafio. Era daqueles que sempre ia no escorregador mais alto. Fui mostrando para os pais, que o fato dele escolher para brincar com esse amiguinho que ele sabia que mordia, também fazia parte dessas aventuras, e que certamente ele também precisava de ajuda para entender qual era o limite dele, até onde ele podia ir nas brincadeiras sem se machucar. Se ele não sabe isso, como ele vai conseguir demonstrar para os outros coleguinhas? Estou contando essa história, pois também precisamos ouvir e avaliar essa criança que é mordida repetidamente. É importante acolher, e ajudar ele nomeando os sentimentos e a se expressar, podendo se defender.

Lembrem-se a criança que morde não é má, e ela também precisa de ajuda.

Quando uma criança morde precisamos identificar as razões das mordidas. O importante é estar disponível e dar a possibilidade de expressar o que sente para que compreenda o que está acontecendo consigo. Algumas vezes, elas não saberão explicar o motivo da mordida e nesses casos, dê algumas opções, pergunte se é porque ficou brava, ou porque queria o brinquedo que estava com o amigo. Incentive a falar da situação e de seu sentimento, ensinando que da próxima vez pode falar para o colega emprestar o brinquedo, ou que gostaria também de estar no colo.

Em seguida não esqueça de mostrar que o amigo ficou triste e machucado. O desafio aqui é explorar causa e efeito. O que acontece quando eu mordo? Tentar fazer a criança se imaginar no lugar do amigo, assim podemos despertar a percepção das consequências das atitudes que se pratica. Nós precisamos ficar atentos, e perceber em qual situação essa criança geralmente morde, podendo antecipar a ação, intervindo para evitar que a criança morda novamente. Assim, quando estiver diante uma situação da qual ela normalmente age com a mordida, o cuidador pode estimular a criança a trocar a comunicação corporal pela verbal.

É fundamental incentivar sempre um pedido de desculpas sincero. Será um caminho de desafios e um aprendizado lindo para as crianças, elas vão conseguindo aos poucos conhecer os seus limites e suas potencialidades, se relacionando de forma mais construtiva e gostosa!!

Morder os colegas é uma fase que deve passar até 3 anos, 3 anos e meio. Caso isso não aconteça, ou as situações de mordida aumente, talvez seja importante procurar um psicólogo para ajudar a identificar o porquê deste comportamento e caminhar juntos com os pais nesse processo de melhora.

 

Escrito por Leticia Rotta Barsotti para o blog Ask Mi

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Limite da intimidade na hora do banho!

30 de maio de 2016

Quando os pequenos atingem uma certa idade, é muito comum surgirem dúvidas nos pais sobre a hora do banho e consequentemente o limite da intimidade. Afinal até que idade podemos tomar banho com nossos filhos?

A verdade é que tomar banho com os filhos pode ser uma grande farra, uma brincadeira gostosa para crianças e adultos. Tudo vai depender da cultura da família, e como a nudezétratada.

Pensando no sentido do desenvolvimento da criança, quando pequena ela é o centro do mundo e centrada nela mesma, ela se vê e vê a mãe como uma só pessoa. A medida que vai crescendo e se desenvolvendo, ela começa a perceber a existência do outro, e percebe que ela e a mãe são pessoas diferentes, que deseja, que sente coisas diferentes. Desta forma, ela interage mais com as pessoas a sua volta. Nesta fase, é muito bom poder mostrar para a criança que ela tem seu espaço, e permitindo que ela se conheça e percorrendo assim um caminho para construir seu contorno, sua forma. Pensando nisso, é importante que ela perceba que a hora do banho dela é dela, e no espaço e tempo dela.

Mais ou menos por volta dos quatro anos de idade a criança começa a perceber as diferenças de sexo, e passa ter curiosidade pelo próprio corpo, pelo corpo dos amigos, dos adultos, pelas diferenças entre o masculino e feminino. E então, de maneira muito simples e espontânea, começam a perguntar sobre as diferenças que percebem. Esse questionamento e curiosidade pode assustar alguns pais que começam a rever os conceitos e a se questionar se devem ou não continuar tomando banho com os filhos. Não existe malicia das crianças, são apenas guiados pela curiosidade.

Nesse contexto, os pequenos curiosos além de olhar e perguntar sobre a diferença do corpo e de sexo, também desejam tocar, apertar e até puxar, e acabam muitas vezes invadindo a intimidade dos seus cuidadores. E essa pode ser uma grande oportunidade para ensinar sobre a privacidade, limite de intimidade e a forma de como cuidar do seu próprio corpo e de si mesmo.

É muito importante, antes de tudo, os pais se questionarem se para eles é natural ou não, estar nu na frente dos seus filhos. É perceberem o próprio sentimento, é prestar atenção qual é a emoção que surge quando as perguntas, os olhares e até o toque dos pequenos aparecem. E como pai e mãe são pessoas diferentes, nem sempre vão sentir a mesma coisa, e é fundamental que conversem sobre isso.

Outro ponto é ficar atento e perceber como é que as crianças se sentem, se quando se deparam com a nudez dos pais ficam envergonhados e tímidos. Caso isso aconteça, talvez seja um sinal de que o limite de intimidade tenha que ser revisto. E, desta forma, crianças e pais podem se sentir expostos e invadidos e a experiência do banho em conjunto pode ser marcada pelo constrangimento.

Nesta fase, a criança ter contato com a nudez do adulto pode provocar sensações que ela não sabe o que é, o que pode ser confuso para ela. Portanto, a nudez do adulto no dia a dia deve ser evitada nesta fase. Claro que em alguns momentos isso pode ocorrer e não terá problemas. O importante aqui, é pensar em manter uma rotina de momentos de privacidade e intimidade respeitada.

Temos que nos atentar para fazermos da maneira mais natural possível, pois ficar se escondendo, colocando maiô/sunga para dar banho, pode transmitir mensagem não tão clara, e os pequenos podem aprender que aquelas partes do corpo têm representação ambígua.

Tomar banho ou não com os filhos não vai impedir ou estimular demais a curiosidade em relação a sexualidade.  Ne verdade, eles vão no tempo deles, descobrir e continuar guiados pela curiosidade sobre as diferenças sexuais.

 

Texto escrito por Leticia Rotta Barsotti para o blog Ask Mi

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A função do Castigo

30 de maio de 2016

Educar os filhos é algo bem trabalhoso que exige paciência e consistência por parte do cuidador, que é ele quem ensina as regras e os limites do convívio social. E isso realmente não é nada fácil. E uma das grandes dúvidas dos pais é se devem ou não utilizar o castigo?

 

O importante aqui, é fazer uma reflexão antes de aplicar o castigo, é ter em mente o que é que vocês querem alcançar. É estar atento ao uso que se faz disso.

 

Castigo significa punir, repreender. Geralmente esses castigos são usados nos momentos em que as crianças fazem algo de errado. A ideia é punir ou ensinar? Muitos pais recorrem a algum tipo de castigo com a ideia de que ele pode fazer com que a criança passe a obedecer o que lhe é imposto.

 

Se o objetivo final for atingir o aprendizado, muito pouco você vai conseguir com a punição. A maioria das vezes que os pais deixam as crianças de castigos, essa ordem vem carregada de raiva e desorganização, e sem diálogo algum. E isso compromete o que existe de mais importante para a educação que é o próprio diálogo.

 

O castigo carregado de raiva, faz com que a criança se sinta retraída, sem poder argumentar e muitas vezes sem entender o que aconteceu. Ela aceita o castigo, cumpre apena, mas não consegue aprender nada de fato. E se isso acontecer muitas vezes, é capaz que aos poucos ela nem ligue mais de ficar de castigo.

 

Agora, se antes de aplicar o castigo, os pais estiverem calmos e tiverem coerência ao conversar e explicar as consequências dos atos , provoca assim um crescimento, amadurecimento e um aprendizado. E isso é lindo! Seu filho passa a perceber que toda a ação tem um resultado e não o castigo. E ele vai ter que aprender a lidar com essas consequências.

 

Por exemplo, se ele não foi dormir na hora planejada porque estava assistindo televisão, ao invés de mandar ao castigo, converse e explique que no dia seguinte ele ficará cansado e não conseguirá cumprir todas as tarefas necessárias e que portanto vocês irão desligar a televisão. Ou, se o filho faz birra em algum lugar ou responde de maneira mal criada para a mãe, essa pode mostrar que ficou muito triste, chateada ou envergonhada com a situação. Desta maneira, a criança vai ter que lidar com a culpa o que gera um aprendizado muito maior do que se ele ficar de castigo.

 

Precisamos lembrar que estamos falando de educação, de crescimento, e o mais importante é  ensinar valores, ajuda-los a terem um futuro construtivo e positivo. Crescer é um processo que implica necessariamente em erros e acertos, o castigo deve surgir como uma ferramenta para melhorar a conduta da criança e não simplificar a algo para fazê-la sofrer pelo ato cometido.

 

Texto escrito por Leticia Rotta Barsotti para o blog Ask Mi.

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Saiba tudo sobre caxumba!

30 de maio de 2016

Hoje nossa médica mais que especial Dra Márcia Toraiwa Iwashita,  que tem tem toda a formação médica pela Faculdade de Medicina da USP,  com especialização em pediatria, alergia e imunologia clínica pelo Instituto da Criança do Hospital da Clínicas da USP. Escreveu tudo sobre a caxumba! Vale a pena conferir!

Nos últimos anos, tem sido observado um aumento na frequência de surtos de Caxumba tanto no Brasil como no resto do mundo, mesmo em países com alta cobertura vacinal, como EUA e Reino Unido. Suspeita-se que isso venha ocorrendo por uma possível adaptação do vírus e/ou uma cobertura vacinal heterogênea ou com falhas.

No Brasil, em 2016 já tivemos diversos surtos no Sul do país e em algumas cidades do Sudeste, como Santos, Campinas e São Paulo.

A caxumba, apesar de ser uma doença mais frequente entre os indivíduos de 5 a 15 anos de idade,ou seja, uma doença de criança, é cosmopolita. Isso significa que ela não tem preferência por sexo ou idade. Ela pode ocorrer durante o ano todo, mas sua incidência aumenta no final do inverno e início da primavera.

A caxumba tem mostrado tendência a se manifestar na forma de surtos epidêmicos nos grandes centros, principalmente em ambientes com alta concentração de adolescentes (como nas escolas) e adultos, pois é a população ainda suscetível.

Suscetível porque a vacinação com uma única dose tem eficácia de 78% (variação de 42 a 92%) contra 88% (variação de 66 a 95%) com duas doses que só foi instituída no Brasil a partir de 2004.

Sintomas:

Geralmente começam com febre, mal-estar inespecífico, dores no corpo e em seguida ocorre o aumento das glândulas salivares (principalmente das parótidas, por isso o termo médico de parotidite infecciosa). Porém cerca de 30% a 40% dos indivíduos apresentam a doença de forma muito leve, não sendo diagnosticada.

Sinais de alerta para possíveis complicações:

Dor nos testículos, náusea, vômito, dor abdominal, dor de cabeça, rigidez na nuca e/ou prostração, principalmente se de intensidade crescente podem ser sinais sugestivos das complicações mais comuns associadas ao vírus da caxumba que são a orquite (inflamação dos testículos), ooforite (inflamação dos óvulos), pancreatite e a meningite.

Transmissão:

Pode ocorrer através do contato direto com a saliva do indivíduo contaminado ou através do contato indireto pelos objetos ou alimentos contaminados por ele. A transmissão acontece a partir de 6 a 7 dias antes do surgimento dos primeiros sintomas da doença e até 8 dias após o início do edema das parótidas. Após o contato, a doença pode vir a se manifestar até 12 a 25 dias depois da exposição.

Prevenção:
Ocorre através da vacina tríplice viral (que protege também contra Sarampo e Rubéola) indicada aos 12 meses com reforço aos 15 meses de vida.

Prevenção pós-contato com indivíduo doente:

É possível receber vacina de bloqueio para tentar evitar a manifestação da doença, converse com seu médico sobre as indicações.

É possível ter caxumba mais de uma vez?

Sim, se o indivíduo teve a caxumba somente de um lado do rosto, ainda há risco de desenvolver a doença do lado que não foi afetado.

Verifique a carteira de vacinação de seu filho e a sua também. Acreditamos que prevenir é sempre a melhor opção.

 

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Saiba tudo sobre a H1N1! Como evitar que seu filho adoeça!

18 de abril de 2016

Para tirar todas as dúvidas sobre H1N1, e tentarmos evitar que nossos filhos adoeçam. Eu conversei com uma médica que além de excelente, é super especial Dra Márcia Toraiwa Iwashita, ela tem toda a formação médica pela Faculdade de Medicina da USP,  com especialização em pediatria, alergia e imunologia clínica pelo Instituto da Criança do Hospital da Clínicas da USP.

1. Dra Márcia,    afinal o    que é a    influenza     A/H1n1?

Para entender o que é o Influenza H1N1, é preciso inicialmente saber o que é a gripe.

Gripe, ou síndrome gripal nos termos médicos, nada mais é do que febre (temperatura corpórea ≧ 37,8ºC) acompanhada de pelo menos um dos seguintes sintomas: dores de cabeça, corpo e/ou articulares, tosse, coriza e obstrução nasal; também podem estar associado os sintomas: diarreia, vômito, fadiga, rouquidão, hiperemia conjuntival (vermelhidão nos olhos). Sendo que a gripe pode ser causada por diversos vírus, entre eles o Influenza.

Há 3 tipos de vírus Influenza: A, B e C. Mas os que causam esse aumento de casos de gripe no outono-inverno de cada ano são somente o A e o B.

O vírus H1N1 é um subtipo do Influenza A, e tem nos preocupado bastante porque sua incidência tem aumentado bastante além de causar sintomas muito mais intensos e, nos grupos de risco (crianças menores de 5 anos, grávidas, idosos e portadores de algumas doenças específicas como Asma, por exemplo), pode causar complicações graves e até a morte.

2. Quais são os sinais e sintomas?

O Influenza A H1N1, como toda gripe vai causar febre, dor no corpo, mal estar, entre outros sintomas. Porém diferente da gripe comum, o indivíduo fica mais prostrado, as febre são mais altas e mesmo sem complicações como pneumonia ou otite, a febre pode se tornar mais prolongada e difícil de ser controlada.

3. O que podemos fazer para  evitar que nossas crianças peguem a    doença?

A vacinação é essencial, mas como a transmissão se dá pelo contato, há  outros importantes hábitos que ajudam a prevenir não somente a gripe, mas diversas outras doenças tão comuns na infância:

– Higienizar frequentemente as mãos através da lavagem com água e sabão e/ou usar o álcool gel.
– Cobrir nariz e boca quando espirrar ou tossir e sempre lembrar da limpeza das mãos logo em seguida.
– Evitar tocar as mucosas dos olhos, do nariz e da boca antes de lavar as mãos.
– Manter os ambientes sempre bem ventilados e evitar aglomerações, principalmente em locais fechados.
– Evitar contato próximo a pessoas que apresentem sinais ou sintomas de gripe.
– Limpar as superfícies e objetos (como os brinquedos) de maior manipulação com álcool a 70% pelo menos 1 vez por semana.
– Procurar avaliação médica e afastar-se temporariamente dos ambientes coletivos (como a escola ou o trabalho) caso tenha sintomas da gripe para evitar a disseminação dos vírus, pois quanto menos gente pegar, menos ele vai se espalhar.

4. Qual é a melhor técnica para lavar as mãos?

O Centro de Vigilância Epidemiológica recomenda que, ao lavar as mãos, utilize sabão e água, e lave durante 15 a 20 segundos. Quando não houver água e sabão disponíveis, use lenços descartáveis contendo álcool ou sanitizantes em gel. Quando estiver usando o gel, esfregue as mãos até que o produto seque. O gel não precisa de água para sua ação desinfetante, uma vez que o álcool que ele contém mata os germes das suas mãos.

5. O que devo fazer caso meu filho adoeça?

Nos casos fora dos grupos de risco, o repouso, a alimentação bem balanceada, mesmo que em menor quantidade e com alimentos mais leves como frutas, pela diminuição do apetite e a ingestão de bastante líquidos são essenciais para uma boa recuperação.

6. Existem medicamentos para tratar?

Nos casos mais graves e nos grupos de risco, é indicado o uso do Tamiflu que, quanto mais cedo iniciado, maiores os benefícios.

7. A H1N1 é grave?

O vírus H1N1 é potencialmente grave para os indivíduos dentro dos grupos de risco.

A grande maioria da população que vier a ter uma gripe nesta época por um vírus Influenza, provavelmente será pelo subtipo H1N1, pois ele tem sido o vírus predominante dentre os vírus Influenza segundo os centros de vigilância epidemiológica do Brasil. Porém para essa grande maioria, passará como uma gripe mais forte.

8. Durante quanto tempo, a pessoa doente pode transmitir a H1N1?

O indivíduo infectado pode transmitir o H1N1 desde 2 dias antes do início dos sintomas até 7 dias após o início deles.

9. Quer acrescentar alguma coisa?

Não há como não nos preocuparmos sempre que nossos filhos ficam doentes, mas preocupar-se não significa correr para levá-los ao Pronto-socorro. Nos casos de febre e sintomas gripais, comunique seu pediatra e siga suas orientações, na grande maioria dos casos é possível evitar a exposição prolongada nas salas de espera lotadas dos hospitais nesta época do ano.

10- Dra Márcia, conte nos mais sobre sua formação.

Sou mãe do Guilherme de 8 anos e da Rafaela de 2 anos. Tenho a vantagem de não ser só a mãe deles, de ser também pediatra, alergista e imunologista. O Gui adora dizer com orgulho pros amigos que ele nunca vai ao hospital, mas quantas vezes nossa casa já não foi o hospital deles? 
Procuro sempre acolher meus pacientes como acolho meus filhos, estejam saudáveis ou doentes, afinal foi esse amor pelas crianças que me levou para a pediatria.
Sou formada pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo com especialização em pediatria, alergia e imunologia clínica pelo Instituto da Criança do Hospital da Clínicas da USP. 
Tenho título de especialista em Pediatria pela Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) e em Alergia e Imunologia Clínica pela Associação Brasileira de Alergia e Imunopatologia Clínica (ASBAI).
Hoje atendo em meu consultório desde 2009 e presto consultoria para a Eduque Nova Escola desde 2011, mas já trabalhei em diversos hospitais pediátricos. Fiquei muitos anos em pronto-socorros, mas  me apaixonei pelas enfermarias pediátricas como a do Hospital Infantil Sabará. Assim descobri que adoro o seguimento a longo prazo das crianças, por isso desde abril de 2015 deixei os hospitais para seguir em consultório acompanhando meus pacientes, vendo-os crescer.

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Meu filho não come! O que fazer?

30 de março de 2016

Tenho visto muitos pais desesperados porque o filho não come! Hoje conversei com a super nutricionista infantil Karine Nunes Costa Durães que nos deu muitas dicas de como agir quando os pequenos não querem comer!

1-Karine, muitas crianças apresentam dificuldade para comer, e experimentar coisas novas. Como devemos oferecer a comida? Devemos forçar, e até obrigar?

Alimentar-se é um processo individual e apetite é muito pessoal. As crianças tem um centro de saciedade bem estabelecido até cerca de 2 anos de idade e, por natureza, pela necessidade biológica, vão comer. Por tudo isso, obrigar uma criança a comer é como uma violência. Provavelmente se resolverá o problema no momento – por medo, ou por coação, a criança come – mas a longo prazo, o que a ciência percebe é que a aversão ao alimento forçado aumenta, por conta das sensações intrínsecas ao momento que a criança é forçada. Portanto, o ideal é persistir – sempre ofertar, cuidar para que o apetite apareça no momento certo, não trocar alimentos – mas não insistir a ponto de deixar a criança desconfortável.

2-Porque algumas crianças apresentam mais dificuldade para se alimentar do que outras?

Existem características implícitas que podem favorecer uma seletividade, por exemplo, a criança que tem mais restrição a sentir textura na pele, como colocar o pé na areia, tem mais restrição para sentir a textura dentro da boca- como provar um novo alimento. Existem crianças naturalmente mais inquietas, que tem dificuldade na concentração no momento de comer. Existem crianças que se saciam rápido, e o volume das refeições deixam os pais ansiosos, mas eles crescem perfeitamente. Mas a maior parte das dificuldades alimentares vem da maneira que introduzimos a alimentação na vida da criança e de como lidamos com os períodos naturais de mais inapetência ou seletividade.

3-Os pais tem culpa dos fillhos terem dificuldade para comer? Quais sao os principais erros que cometemos?

Não tem culpa pelas dificuldades alimentares – já que uma porção de fatores induzem a dificuldades alimentares- mas os pais são os responsáveis por ajudar a criança a contornar o problema. Os principais erros seriam: – não apresentar texturas na introdução alimentar, limitando a experiência da criança – não apresentar sabores diversos na introdução alimentar, e ao mesmo tempo, oferecer alimentos muito palatáveis como alimentos açucarados – forçar a criança a comer em qualquer situação – forçar a criança a comer especialmente se estiver doente – não estimular a evolução da alimentação, e reforçar comportamentos indulgentes na refeição, como por exemplo: a criança separa a salada crua do prato, os pais passam a não servir mais a salada aparente. – servir beliscos durante o dia. Uma criança só prova novos alimentos se tiver o melhor de todos os temperos: um pouco de fome. Portanto, o ideal é servir refeições com diferença de tempo aproximado de 3 horas, e entre essas refeições, apenas água. – usar a comida como moeda de troca: ficar muito feliz se a criança comer tudo, ficar triste quando a criança não come. Se a criança aprender que comida é moeda de troca, vai usar essa ferramenta também.

4-Quais dicas você nos dá para introduzir novos alimentos e ampliar o cardápio?

Paciência e persistência. oferecer novos alimentos sempre ao lado de alimentos já conhecidos, ofertar o alimento novo de maneira atraente. Pode ser primeiro apenas no prato dos pais. Depois, no prato da criança. Ofertar pequenas porções dos alimentos novos. Pensar em características parecidas dos alimentos já apreciados, para começar a escolher novos alimentos para introdução. Usar sempre expressões positivas, como: você AINDA não gosta, mas vai gostar; essas cenouras estão crocantes e deliciosas.

Vale ressaltar que se os pais sentirem muita dificuldade, procurem ajuda. Quanto mais cedo lidamos com o problema de maneira assertiva, melhor para a criança, menos problemas com a dinâmica da refeição e mais prazer nos momentos da alimentação.

Karine é Nutricionista especialista em nutrição em pediatria pelo Instituto da Criança da Faculdade de Medicina na USP, pós graduada em fitoterapia. Atuou em instituições de referência para atendimento em nutrição infantil, foi diretora da Associação paulista de Nutrição. Atualmente, ministra aulas e palestras na área, faz parte da câmara técnica em nutrição infantil do Conselho Regional de Nutrição,é uma das idealizadoras e docentes do Grupo de estudos em alimentação na gestação Gerar, e escreve no blog www.nutricionistainfantil.blogspot.com

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Brincar com a imaginação

20 de março de 2016

Hoje entrevistei a super fofa Suely Bloch, especialista em brincar! Ela é idealizadora e coordenadora de um lugar incrível para os pequenos o Brincando no pé. Nesta conversa, ela nos conta sobre a importância do Brincar e de como brincar! Amei as dicas!

1- Fale sobre a importância do brincar sem brinquedo no desenvolvimento da criança:

O brincar é a linguagem da criança, é uma atividade natural, essencial e espontânea. Através da brincadeira ela comunica e conhece seus interesses, estabelece relações com objetos e com pessoas e interage com o mundo desconhecido por ela. É brincando que ela tem a possibilidade de desenvolver e pôr em pratica sua sensibilidade, imaginação, duvidas e anseios, pensamentos, imaginação, sua inteligência e integração social.

Brincar é uma maneira de se desenvolver, de explorar e de descobrir e compreender o mundo em sua volta.

Eu valorizo muito a brincadeira de faz de conta, pois é através dela que a criança pode vivenciar diferentes papéis, podem ser autônomas e criadoras, estabelecendo ligações sobre o que somos, podemos ser e fazer, imaginar e criar.

Quando ela ocupa o papel de mamãe, quando pega uma vassoura para varrer, e ou quando diz alô para um objeto parecido com um celular, por exemplo, ela está reproduzindo, a sua maneira, o que vive à sua volta, Há também as situações em que se transformam em super heróis, vilões, seres encantados, e até grande piratas em busca de tesouros perdidos. Um pedaço de pano pode se transformar em uma capa, uma cauda de sereia, uma toalha de mesa de um grande jantar; um rolinho de papel pode ser um binóculo, uma espada e até um foguete. Com caixotes e cestas, as crianças são capazes de criar ambientes mágicos.

Todas estas experiências a fazem viver e reviver situações que lhe causaram alegria, medos, angustias, tristezas, dando a oportunidade de expressar, compreender e reorganizar estes sentimentos vividos de maneira significativa e lúdica.

2- Em que fase do desenvolvimento é importante estimular a imaginação?

Pensando em desenvolvimento, é de grande importância estimular a imaginação desde muito pequeno, pois é a época em que o cérebro está repleto de células fresquinhas, realizando muitas conexões e sinapses, momento de grandes aprendizados. Com um ano e meio de idade, já é possível observar manifestações da imaginação das crianças através do brincar.

É importante dizer, que não há uma idade limite, nós adultos também deveríamos estimular nossa imaginação frequentemente, claro que adequando aos nossos temas de interesse, mas imaginar, sonhar, criar, são fundamentais para todos!

3- Então quer dizer que não devemos comprar aquele brinquedo que o filho vê na televisão e está querendo muito?

Todo brinquedo tem suas qualidades.  Devemos sempre nos atentar a oferecer todos os tipos de brinquedos, tanto os mais estruturados e concretos, como os menos estruturados, também livros e historias, assim ampliamos o repertório dos pequenos e estimulamos a fantasia, imaginação e autoria em suas brincadeiras. Além disto, os jogos com regras têm um importante papel no desenvolvimento infantil, pois trabalha o raciocínio logico, regras e interação com outras pessoas.

4- Como estimular as crianças nos dias de hoje, cheio de informações e tecnologias a brincar com utensílios diferentes?

Acredito que este seja um ponto fundamental do brincar nos tempos atuais, pois os pais cheios de compromissos e afazeres, acabam “ esquecendo e ou deixando de lado” o brincar, escolhendo muitas vezes a facilidade da televisão, do celular e do ipad, que fatalmente, mantem a criança atenta, parada e sem interação social, por um longo período. Por isso, meu papel como educadora, é também ajudar aos pais a criarem situações de brincadeira junto a seus filhos, deixando de lado todas as preocupações e tarefas e se dedicando, um pouquinho apenas ao brincar, no aqui e agora, estando PRESENTES!

5- Dicas de brincadeiras ou utensílios que podemos oferecer.

Sucatas de todos os tipos, formas e tamanhos, – podem ser usadas tanto para construções de objetos, bonecos, por exemplo, também podem ampliar uma brincadeira de restaurante, de comidinha, de casinha, e até de bruxaria!

Panos podem virar capas, vestidos, toalhas de mesa, lençol, rios, mares, há uma infinidade de opções

Caixas e caixotes podem se transformar em trens, navios piratas, armários, camas, berços e até em um ônibus espacial

Pedrinhas, conchas, galhos, folhas, flores e areia são materiais riquíssimos e de grande interesse pelas crianças. Podem se criar cidades, muralhas, bolos, camas de fadas, mares profundos e até jogos de amarelinha.

Colheres de pau, conchas, escumadeiras, panelas, entre outros utensílios, ajudam muito a criar uma brincadeira de casinha, de feitiço e até podem virar instrumentos musicais

Cabanas podem ser feitas com cadeira, mesa, bambolê, amarradas numa arvore, basta usar a imaginação!

Potes de shampoo, condicionador e creme, por exemplo podem virar um cabelereiro

Seringas, máscaras, luvas, frascos de remédios vazios e caixas de remédio podem incentivar uma boa brincadeira de médico

Teclados de computadores velhos, celulares quebrados, instrumentos musicais, potes, potinhos, jornal, argila, papéis e muito desenho, também são boas opções para divertir a garotada

Brincar com água, dar banho nas bonecas, nos bichos e nas folhas, brincar num parque, subir em árvores, ler histórias…ah como é bom brincar!

 

Suely Bloch é psicóloga , pedagoga, educadora brincante, com grande experiência em escolas bilíngues, tradicionais e construtivistas, e acredita com todas as suas forças, que a escola pode e deve ser um lugar para CRIANÇA BRINCAR.

 Idealizadora e coordenadora do brincando no Pé, que é um espaço no qual todos: grandes, pequenos e grandões, vovós, papais e titios, podem compartilhar juntos experiências, artísticas, musicais, culturais, relacionais, , informativas, imaginárias, lúdicas e sensíveis, afinal de contas quando a gente brinca, o mundo fica ainda mais colorido!

Sobre Criança

Lidando com a frustração na infância

15 de fevereiro de 2016

Outro dia meu filho chegou em casa chorando, pois havia perdido num jogo do qual ele achava que já estava bom o suficiente. Percebi o quão decepcionado ele estava, e visivelmente sofrendo. Eu tinha visto ele treinar bastante para o tal jogo, e neste momento meu coração apertou.

Pensei bastante em como poder ajudar, e minha vontade era que ele parasse de sofrer, de ficar triste. E aí me dei conta de que realmente é bem difícil pensar que nossos filhos terão que lidar com uma dor, com um sofrimento. Mas em contrapartida se tem algo que temos certeza na vida, é que a dor da frustração em algum momento virá. E ela vem, várias vezes, e os pais muitas vezes não estarão por perto para poder proteger.

Essa é a dor do tipo que a gente vai desenvolvendo a capacidade de tolerar aos poucos, e para isso precisamos de um treinamento constante. E mesmo com toda a tentação do mundo de não deixar nossos filhos sofrerem, é importante pensar que para os pais, fica a tarefa de não tirar essa oportunidade de treinar a capacidade de tolerar a frustração.

Perder no jogo, não ter o brinquedo desejado, tirar notas baixas na escola. A frustração faz parte da vida das crianças e tem papel importante no desenvolvimento delas.

O que aconteceu com meu filho é que as coisas não saíram como ele desejou ou idealizou, e o pensamento de que basta desejar que as coisas acontecem, não funcionou, causando dor e frustração.

E lá no fundo, me concentrei e decidi mostrar que ele tinha condiçōes de lidar com a dor e descobrir como superar isso.

Bem perto dele, ofereci um colo, e com ele envolto nos meus braços, disse a ele que também fico triste quando não consigo o que eu quero, que nem sempre ganhamos em tudo, e que perder também faz parte do jogo! Mostrei que tudo bem ele se sentir assim. Em troca, recebi um abraço bem apertado com algumas lágrimas ainda, querendo me dizer que estava mais tranquilo de saber que eu entendia a decepção dele, e assim sugeri de darmos uma volta e ele abriu um meio sorriso.

Os pais ao perceberem a dor da frustração no filho, devem acolher esses sentimentos, legitimar e dar nome ao sentimento da criança.

As vezes a derrota é mais importante do que a vitória, para que ela possa compreender suas emoções e amadurecer.

Ao mostrar que entendemos o sofrimento, deixamos a criança segura de que ela pode sentir isso neste momento, o que é muito importante. Deixar claro que não esperamos que ela de uma hora para outra esqueça o que aconteceu e causou a dor. Desta forma, os pais estão ajudando a criança a demonstrar o que sente de maneira adequada.

A forma como a criança compreende suas emoções é fundamental.

É, funcionou…e sim, sei que terão outras dores como esta e maiores até.

 

Sobre Criança

Ansiedade na Criança

8 de dezembro de 2015

Quando se fala em ansiedade, quase nunca pensamos em crianças. Mas cada vez mais tenho visto transtornos de ansiedade na infância.

Em algumas crianças, podemos ver facilmente traços de ansiedade, pois são mais agitadas, com dificuldade de concentração, e na maioria das vezes não conseguem concluir uma atividade. Nestes casos, é importante perceber que a criança fica limitada para novas experiências, na interação com ela mesma e com outras crianças. Podemos ajudar essa criança, fazendo ela entender seu próprio ritmo e a perceber suas próprias emoções.

Em outros casos a ansiedade pode ser demonstrada como por exemplo somente em alguma apresentação na escola, competição, ou prova. Mas de modo geral, essa é uma experiência passageira. Essa ansiedade é uma forma da criança enfrentar uma situação que considera desafiadora e, portanto, a medida que, mesmo se sentindo ansiosa, consegue conquistar seus desafios, pode até ser positivo. Nós como pais e educadores, podemos nestes momentos, ajudar a criança a se acalmar e aprender a lidar com esses tipos de situações sem gerar cobrança. Vale lembrar que algumas das ansiedades geradas nas crianças podem vir da expectativa depositadas pelos próprios pais.

No entanto a rotina corrida, cheia de pressões, e a exigência de que a criança amadureça cada vez mais cedo, também pode gerar ansiedade.

A criança pode desenvolver alguns sinais para lidar melhor com a ansiedade que sente. Muitas vezes passam a roer unhas, mudanças significativas nos hábitos alimentares, e também sentindo muita insegurança na ausência dos pais.

Por estar ansiosa, às vezes, sente dores reais quando não quer ir à escola ou até mesmo ao parquinho. E isso não é manha como acreditam algumas pessoas. Importante ficar atento pois as manifestações também podem surgir no corpo, já que o corpo manifesta as emoções sentidas, e com as crianças isso não é diferente. Os sintomas mais comuns são falta de sono, dores de barriga ou de cabeça, e em casos mais graves, as crianças podem sentir até tontura, falta de ar e tiques. São sintomas que podem ser reais e não uma desculpa para não ficar sozinha, ou não ter que fazer alguma tarefa.

Já vi criança que de repente começou a não querer brincar no parquinho do clube que estava acostumado, pois começou a sentir medo. O melhor a fazer nestes casos, é estar atento e conversar com a criança, e não obrigar ou fingir que não esta acontecendo nada. Entender o motivo junto à criança é fundamental.

Outra situação muito comum, é quando o filho possui habilidades em esportes, e os pais e educadores passam a encarar com profissionalismo e a criança se sente pressionada. Muitas vezes, gera ansiedade excessiva e chegam a parar de praticar algo que gostavam.

Devemos observar, escutar e perceber as crianças que nos cercam, precisamos de fato olhar e estar disponível a ela. Cuidar do ambiente onde a criança está inserida, as atitudes dos pais e de outros membros que convivem com ela. É super importante prestar atenção na rotina, nas expectativas e no ritmo de cada um. Respeite seus sentimentos e incentive a sentir que ela pode enfrentar seus medos.

Alguns pais, ao perceberem o estado ansioso do filho, na tentativa de proteger, antecipam os temores da criança e acabam formando um ciclo de ansiedade. Ajudar as crianças evitando as coisas que eles têm medo, pode fazer eles se sentirem melhor a curto prazo, mas reforça a ansiedade a longo prazo.

O importante para os pais é pensar que o objetivo não é eliminar a ansiedade, mas tentar ajudar a criança a gerenciá-lo.

Ninguém quer ver uma criança infeliz, triste ou ansiosa, mas a melhor maneira de ajudar as crianças a superar a ansiedade é não tentar remover estressores que desencadeiam. E sim, ajudá-los a aprender a tolerar sua ansiedade e aos poucos ela pode desaparecer.

Não podemos afirmar para a criança que seus medos não são reais, que ela não vai falhar numa prova, que ela vai se divertir no escorregador. Mas podemos expressar confiança de que ela vai ficar bem, ela será capaz de controlar e que, como ela enfrenta seus medos, o nível de ansiedade vai diminuir ao longo do tempo. Desta forma você dá confiança de que suas expectativas são realistas, e que você não vai pedir para fazer algo que ela não possa.

Ao conversar com seu filho incentive a falar sobre seus sentimentos, mas tente não utilizar perguntas fechadas ao invés de dizer “Você está ansioso para a apresentação?”. Pergunte “Como você se sente sobre a apresentação?” Assim fica mais fácil dele conseguir se expressar.

Sempre me perguntam como saber quando a ansiedade é exagerada e eu sempre digo que é quando a ansiedade atrapalha a vida da criança.

Fiquem atentos! Pode afetar crianças de diversas faixas etárias, e em cada uma delas os sintomas podem ser diferentes.

Muitas crianças que sofrem de ansiedade têm dificuldade de se relacionar com outras e até mesmo com familiares.

Sua manifestação nem sempre é passageira e seus sintomas podem persistir além da infância, na adolescência e na fase adulta se não forem tratados.

Crianças com problemas de ansiedade podem ter outras dificuldades emocionais no futuro.

Se perceberem alguma mudança de comportamento ou algum desses sinais citados a cima. Os pais devem procurar ajuda de especialistas psicólogos.A criança deve frequentar consultas, onde o psicólogo poderá fazer tratamentos para ajudar na ansiedade na criança.