Sobre Criança

Ansiedade na Criança

8 de dezembro de 2015

Quando se fala em ansiedade, quase nunca pensamos em crianças. Mas cada vez mais tenho visto transtornos de ansiedade na infância.

Em algumas crianças, podemos ver facilmente traços de ansiedade, pois são mais agitadas, com dificuldade de concentração, e na maioria das vezes não conseguem concluir uma atividade. Nestes casos, é importante perceber que a criança fica limitada para novas experiências, na interação com ela mesma e com outras crianças. Podemos ajudar essa criança, fazendo ela entender seu próprio ritmo e a perceber suas próprias emoções.

Em outros casos a ansiedade pode ser demonstrada como por exemplo somente em alguma apresentação na escola, competição, ou prova. Mas de modo geral, essa é uma experiência passageira. Essa ansiedade é uma forma da criança enfrentar uma situação que considera desafiadora e, portanto, a medida que, mesmo se sentindo ansiosa, consegue conquistar seus desafios, pode até ser positivo. Nós como pais e educadores, podemos nestes momentos, ajudar a criança a se acalmar e aprender a lidar com esses tipos de situações sem gerar cobrança. Vale lembrar que algumas das ansiedades geradas nas crianças podem vir da expectativa depositadas pelos próprios pais.

No entanto a rotina corrida, cheia de pressões, e a exigência de que a criança amadureça cada vez mais cedo, também pode gerar ansiedade.

A criança pode desenvolver alguns sinais para lidar melhor com a ansiedade que sente. Muitas vezes passam a roer unhas, mudanças significativas nos hábitos alimentares, e também sentindo muita insegurança na ausência dos pais.

Por estar ansiosa, às vezes, sente dores reais quando não quer ir à escola ou até mesmo ao parquinho. E isso não é manha como acreditam algumas pessoas. Importante ficar atento pois as manifestações também podem surgir no corpo, já que o corpo manifesta as emoções sentidas, e com as crianças isso não é diferente. Os sintomas mais comuns são falta de sono, dores de barriga ou de cabeça, e em casos mais graves, as crianças podem sentir até tontura, falta de ar e tiques. São sintomas que podem ser reais e não uma desculpa para não ficar sozinha, ou não ter que fazer alguma tarefa.

Já vi criança que de repente começou a não querer brincar no parquinho do clube que estava acostumado, pois começou a sentir medo. O melhor a fazer nestes casos, é estar atento e conversar com a criança, e não obrigar ou fingir que não esta acontecendo nada. Entender o motivo junto à criança é fundamental.

Outra situação muito comum, é quando o filho possui habilidades em esportes, e os pais e educadores passam a encarar com profissionalismo e a criança se sente pressionada. Muitas vezes, gera ansiedade excessiva e chegam a parar de praticar algo que gostavam.

Devemos observar, escutar e perceber as crianças que nos cercam, precisamos de fato olhar e estar disponível a ela. Cuidar do ambiente onde a criança está inserida, as atitudes dos pais e de outros membros que convivem com ela. É super importante prestar atenção na rotina, nas expectativas e no ritmo de cada um. Respeite seus sentimentos e incentive a sentir que ela pode enfrentar seus medos.

Alguns pais, ao perceberem o estado ansioso do filho, na tentativa de proteger, antecipam os temores da criança e acabam formando um ciclo de ansiedade. Ajudar as crianças evitando as coisas que eles têm medo, pode fazer eles se sentirem melhor a curto prazo, mas reforça a ansiedade a longo prazo.

O importante para os pais é pensar que o objetivo não é eliminar a ansiedade, mas tentar ajudar a criança a gerenciá-lo.

Ninguém quer ver uma criança infeliz, triste ou ansiosa, mas a melhor maneira de ajudar as crianças a superar a ansiedade é não tentar remover estressores que desencadeiam. E sim, ajudá-los a aprender a tolerar sua ansiedade e aos poucos ela pode desaparecer.

Não podemos afirmar para a criança que seus medos não são reais, que ela não vai falhar numa prova, que ela vai se divertir no escorregador. Mas podemos expressar confiança de que ela vai ficar bem, ela será capaz de controlar e que, como ela enfrenta seus medos, o nível de ansiedade vai diminuir ao longo do tempo. Desta forma você dá confiança de que suas expectativas são realistas, e que você não vai pedir para fazer algo que ela não possa.

Ao conversar com seu filho incentive a falar sobre seus sentimentos, mas tente não utilizar perguntas fechadas ao invés de dizer “Você está ansioso para a apresentação?”. Pergunte “Como você se sente sobre a apresentação?” Assim fica mais fácil dele conseguir se expressar.

Sempre me perguntam como saber quando a ansiedade é exagerada e eu sempre digo que é quando a ansiedade atrapalha a vida da criança.

Fiquem atentos! Pode afetar crianças de diversas faixas etárias, e em cada uma delas os sintomas podem ser diferentes.

Muitas crianças que sofrem de ansiedade têm dificuldade de se relacionar com outras e até mesmo com familiares.

Sua manifestação nem sempre é passageira e seus sintomas podem persistir além da infância, na adolescência e na fase adulta se não forem tratados.

Crianças com problemas de ansiedade podem ter outras dificuldades emocionais no futuro.

Se perceberem alguma mudança de comportamento ou algum desses sinais citados a cima. Os pais devem procurar ajuda de especialistas psicólogos.A criança deve frequentar consultas, onde o psicólogo poderá fazer tratamentos para ajudar na ansiedade na criança.

 

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