Sobre Criança

Meu filho não come! O que fazer?

30 de março de 2016

Tenho visto muitos pais desesperados porque o filho não come! Hoje conversei com a super nutricionista infantil Karine Nunes Costa Durães que nos deu muitas dicas de como agir quando os pequenos não querem comer!

1-Karine, muitas crianças apresentam dificuldade para comer, e experimentar coisas novas. Como devemos oferecer a comida? Devemos forçar, e até obrigar?

Alimentar-se é um processo individual e apetite é muito pessoal. As crianças tem um centro de saciedade bem estabelecido até cerca de 2 anos de idade e, por natureza, pela necessidade biológica, vão comer. Por tudo isso, obrigar uma criança a comer é como uma violência. Provavelmente se resolverá o problema no momento – por medo, ou por coação, a criança come – mas a longo prazo, o que a ciência percebe é que a aversão ao alimento forçado aumenta, por conta das sensações intrínsecas ao momento que a criança é forçada. Portanto, o ideal é persistir – sempre ofertar, cuidar para que o apetite apareça no momento certo, não trocar alimentos – mas não insistir a ponto de deixar a criança desconfortável.

2-Porque algumas crianças apresentam mais dificuldade para se alimentar do que outras?

Existem características implícitas que podem favorecer uma seletividade, por exemplo, a criança que tem mais restrição a sentir textura na pele, como colocar o pé na areia, tem mais restrição para sentir a textura dentro da boca- como provar um novo alimento. Existem crianças naturalmente mais inquietas, que tem dificuldade na concentração no momento de comer. Existem crianças que se saciam rápido, e o volume das refeições deixam os pais ansiosos, mas eles crescem perfeitamente. Mas a maior parte das dificuldades alimentares vem da maneira que introduzimos a alimentação na vida da criança e de como lidamos com os períodos naturais de mais inapetência ou seletividade.

3-Os pais tem culpa dos fillhos terem dificuldade para comer? Quais sao os principais erros que cometemos?

Não tem culpa pelas dificuldades alimentares – já que uma porção de fatores induzem a dificuldades alimentares- mas os pais são os responsáveis por ajudar a criança a contornar o problema. Os principais erros seriam: – não apresentar texturas na introdução alimentar, limitando a experiência da criança – não apresentar sabores diversos na introdução alimentar, e ao mesmo tempo, oferecer alimentos muito palatáveis como alimentos açucarados – forçar a criança a comer em qualquer situação – forçar a criança a comer especialmente se estiver doente – não estimular a evolução da alimentação, e reforçar comportamentos indulgentes na refeição, como por exemplo: a criança separa a salada crua do prato, os pais passam a não servir mais a salada aparente. – servir beliscos durante o dia. Uma criança só prova novos alimentos se tiver o melhor de todos os temperos: um pouco de fome. Portanto, o ideal é servir refeições com diferença de tempo aproximado de 3 horas, e entre essas refeições, apenas água. – usar a comida como moeda de troca: ficar muito feliz se a criança comer tudo, ficar triste quando a criança não come. Se a criança aprender que comida é moeda de troca, vai usar essa ferramenta também.

4-Quais dicas você nos dá para introduzir novos alimentos e ampliar o cardápio?

Paciência e persistência. oferecer novos alimentos sempre ao lado de alimentos já conhecidos, ofertar o alimento novo de maneira atraente. Pode ser primeiro apenas no prato dos pais. Depois, no prato da criança. Ofertar pequenas porções dos alimentos novos. Pensar em características parecidas dos alimentos já apreciados, para começar a escolher novos alimentos para introdução. Usar sempre expressões positivas, como: você AINDA não gosta, mas vai gostar; essas cenouras estão crocantes e deliciosas.

Vale ressaltar que se os pais sentirem muita dificuldade, procurem ajuda. Quanto mais cedo lidamos com o problema de maneira assertiva, melhor para a criança, menos problemas com a dinâmica da refeição e mais prazer nos momentos da alimentação.

Karine é Nutricionista especialista em nutrição em pediatria pelo Instituto da Criança da Faculdade de Medicina na USP, pós graduada em fitoterapia. Atuou em instituições de referência para atendimento em nutrição infantil, foi diretora da Associação paulista de Nutrição. Atualmente, ministra aulas e palestras na área, faz parte da câmara técnica em nutrição infantil do Conselho Regional de Nutrição,é uma das idealizadoras e docentes do Grupo de estudos em alimentação na gestação Gerar, e escreve no blog www.nutricionistainfantil.blogspot.com

2 Comentários

  • Reply Marcos 19 de outubro de 2016 at 21:50

    Boa noite. Meu filho tem 7 anos e praticamente só come arroz com queijo. Lasanha de queijo, só alimento bco. Isso começou depois que nasceu o irmão qdo ele tinha 4 anos. Damos um leite pediasure de manhã que acredito que o nutre. Já fizemos de tudo, psicólogo, nutricionista. Ele tá muito magro, me ajude…

    • Reply admin 12 de abril de 2017 at 11:03

      OI Marcos, boa tarde! Peço que entre em contato comigo para podermos conversar e vc me explicar melhor.
      telefone consultorio:32892563, ou me mande um email para leticia@sobrecrianca.com.br
      obrigada

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