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Sobre Criança

Brincar com a imaginação

20 de março de 2016

Hoje entrevistei a super fofa Suely Bloch, especialista em brincar! Ela é idealizadora e coordenadora de um lugar incrível para os pequenos o Brincando no pé. Nesta conversa, ela nos conta sobre a importância do Brincar e de como brincar! Amei as dicas!

1- Fale sobre a importância do brincar sem brinquedo no desenvolvimento da criança:

O brincar é a linguagem da criança, é uma atividade natural, essencial e espontânea. Através da brincadeira ela comunica e conhece seus interesses, estabelece relações com objetos e com pessoas e interage com o mundo desconhecido por ela. É brincando que ela tem a possibilidade de desenvolver e pôr em pratica sua sensibilidade, imaginação, duvidas e anseios, pensamentos, imaginação, sua inteligência e integração social.

Brincar é uma maneira de se desenvolver, de explorar e de descobrir e compreender o mundo em sua volta.

Eu valorizo muito a brincadeira de faz de conta, pois é através dela que a criança pode vivenciar diferentes papéis, podem ser autônomas e criadoras, estabelecendo ligações sobre o que somos, podemos ser e fazer, imaginar e criar.

Quando ela ocupa o papel de mamãe, quando pega uma vassoura para varrer, e ou quando diz alô para um objeto parecido com um celular, por exemplo, ela está reproduzindo, a sua maneira, o que vive à sua volta, Há também as situações em que se transformam em super heróis, vilões, seres encantados, e até grande piratas em busca de tesouros perdidos. Um pedaço de pano pode se transformar em uma capa, uma cauda de sereia, uma toalha de mesa de um grande jantar; um rolinho de papel pode ser um binóculo, uma espada e até um foguete. Com caixotes e cestas, as crianças são capazes de criar ambientes mágicos.

Todas estas experiências a fazem viver e reviver situações que lhe causaram alegria, medos, angustias, tristezas, dando a oportunidade de expressar, compreender e reorganizar estes sentimentos vividos de maneira significativa e lúdica.

2- Em que fase do desenvolvimento é importante estimular a imaginação?

Pensando em desenvolvimento, é de grande importância estimular a imaginação desde muito pequeno, pois é a época em que o cérebro está repleto de células fresquinhas, realizando muitas conexões e sinapses, momento de grandes aprendizados. Com um ano e meio de idade, já é possível observar manifestações da imaginação das crianças através do brincar.

É importante dizer, que não há uma idade limite, nós adultos também deveríamos estimular nossa imaginação frequentemente, claro que adequando aos nossos temas de interesse, mas imaginar, sonhar, criar, são fundamentais para todos!

3- Então quer dizer que não devemos comprar aquele brinquedo que o filho vê na televisão e está querendo muito?

Todo brinquedo tem suas qualidades.  Devemos sempre nos atentar a oferecer todos os tipos de brinquedos, tanto os mais estruturados e concretos, como os menos estruturados, também livros e historias, assim ampliamos o repertório dos pequenos e estimulamos a fantasia, imaginação e autoria em suas brincadeiras. Além disto, os jogos com regras têm um importante papel no desenvolvimento infantil, pois trabalha o raciocínio logico, regras e interação com outras pessoas.

4- Como estimular as crianças nos dias de hoje, cheio de informações e tecnologias a brincar com utensílios diferentes?

Acredito que este seja um ponto fundamental do brincar nos tempos atuais, pois os pais cheios de compromissos e afazeres, acabam “ esquecendo e ou deixando de lado” o brincar, escolhendo muitas vezes a facilidade da televisão, do celular e do ipad, que fatalmente, mantem a criança atenta, parada e sem interação social, por um longo período. Por isso, meu papel como educadora, é também ajudar aos pais a criarem situações de brincadeira junto a seus filhos, deixando de lado todas as preocupações e tarefas e se dedicando, um pouquinho apenas ao brincar, no aqui e agora, estando PRESENTES!

5- Dicas de brincadeiras ou utensílios que podemos oferecer.

Sucatas de todos os tipos, formas e tamanhos, – podem ser usadas tanto para construções de objetos, bonecos, por exemplo, também podem ampliar uma brincadeira de restaurante, de comidinha, de casinha, e até de bruxaria!

Panos podem virar capas, vestidos, toalhas de mesa, lençol, rios, mares, há uma infinidade de opções

Caixas e caixotes podem se transformar em trens, navios piratas, armários, camas, berços e até em um ônibus espacial

Pedrinhas, conchas, galhos, folhas, flores e areia são materiais riquíssimos e de grande interesse pelas crianças. Podem se criar cidades, muralhas, bolos, camas de fadas, mares profundos e até jogos de amarelinha.

Colheres de pau, conchas, escumadeiras, panelas, entre outros utensílios, ajudam muito a criar uma brincadeira de casinha, de feitiço e até podem virar instrumentos musicais

Cabanas podem ser feitas com cadeira, mesa, bambolê, amarradas numa arvore, basta usar a imaginação!

Potes de shampoo, condicionador e creme, por exemplo podem virar um cabelereiro

Seringas, máscaras, luvas, frascos de remédios vazios e caixas de remédio podem incentivar uma boa brincadeira de médico

Teclados de computadores velhos, celulares quebrados, instrumentos musicais, potes, potinhos, jornal, argila, papéis e muito desenho, também são boas opções para divertir a garotada

Brincar com água, dar banho nas bonecas, nos bichos e nas folhas, brincar num parque, subir em árvores, ler histórias…ah como é bom brincar!

 

Suely Bloch é psicóloga , pedagoga, educadora brincante, com grande experiência em escolas bilíngues, tradicionais e construtivistas, e acredita com todas as suas forças, que a escola pode e deve ser um lugar para CRIANÇA BRINCAR.

 Idealizadora e coordenadora do brincando no Pé, que é um espaço no qual todos: grandes, pequenos e grandões, vovós, papais e titios, podem compartilhar juntos experiências, artísticas, musicais, culturais, relacionais, , informativas, imaginárias, lúdicas e sensíveis, afinal de contas quando a gente brinca, o mundo fica ainda mais colorido!

Sobre Família

Devemos incentivar as crianças a acreditar no Papai Noel ?

18 de dezembro de 2015

O natal se aproxima e muitos pais têm dúvidas do que dizer aos filhos sobre o Papai Noel. Difícil de negar, já que encontramos Papai Noel em shoppings, restaurantes e de monte na televisão. E posso falar? Acho lindo de ver meus filhos felizes ao encontrar o papai Noel, e preocupados em contar como foram obedientes e da cartinha que fizeram. Mas quem nunca se questionou sobre contar ou não da existência do papai Noel?  Ou se questionou se estimular a fantasia é saudável para o desenvolvimento das crianças?

E eu adoro enfatizar que não podemos tirar de uma criança a capacidade de fantasiar, já que a exploração do imaginário infantil, ajuda nas idéias e pensamentos.

Me lembro perfeitamente quando era criança, que na noite de natal saia a procura do papai Noel junto dos meus primos, eu podia jurar que via o trenó do papai Noel voando no céu e tudo mais. Era delicioso.

A fantasia é fundamental para o desenvolvimento da criança, ela nos faz acreditar em um monte de coisa. Assim como elas acreditam nos poderes dos super-heróis, no sopro do lobo mau, acreditam no Papai Noel. Isso são sonhos!

Querendo ou não, a fantasia faz parte da criança, do desenvolvimento infantil e na vida adulta também.

Sem contar que é através do imaginário e da fantasia que conseguimos elaborar nossas questões afetivas e isso vem desde a infância. O fato é que, a brincadeira e a fantasia ajudam a criança a lidar com seus sentimentos.

Nós como pais, devemos facilitar o mundo da imaginação para nossos filhos, dando a eles possibilidades de sonhar e fantasiar.

Vale lembrar que a figura do Papai Noel não é somente a de entregador de presentes, mas tem também outras representações simbólicas importantes como bondade e empatia.

Tenho um dado importante que gostaria de compartilhar com vocês, a psicanalista Melanie Klein apostava que a realidade deveria prevalecer em qualquer circunstância, e resolveu fazer um teste. Ela negou a fantasia aos seus filhos. Num certo dia, se deparou com um pedido dos filhos: queriam se mudar para a casa da vizinha. Sabe por que? Lá existia Papai Noel!! Essa é uma das contribuições de Klein para a psicanálise, que mostra que a fantasia faz parte da criança.

Toda criança pode viver o encantamento do natal!!!

Mas meu filho está desconfiado, e agora?

Em algum momento, quando o pensamento da criança começa a ser mais lógico. Ela começa a perceber as diferenças físicas do papai Noel, a diferença das informações e os questionamentos e desconfiança aparecem. Isso geralmente acontece por volta dos 7 anos, mas pode variar. E quando esses questionamentos acontecem nópais, devemos ser verdadeiros com a criança. Uma vez que a criança já conhece a verdade, e tem idade para isso, não podemos insistir na existência do Papai Noel, pois ficarão tristes e angustiados ao perceberem que os pais não acreditam que  já são capazes de distinguir a fantasia da realidade. Mas lembre-se, essa conversa tem que ser feita no tempo da criança, quando iniciarem os questionamentos, e não quando acharmos que é a hora certa.

Desejo a todos um ótimo natal, cheio de fantasia para todos nós!